Este blog nasce como consequência de uma morte.
Nasce como consequência do falecimento de minha avó Luiza Fernandes, a única que conheci. Ela faleceu ontem às 11:00 hs. Porém só agora recebi a notícia, um pouco antes de 01:30 hs.
Mesmo gostando muito de minha avó. Não fiquei triste, não senti vontade de chorar ou coisa do tipo. Apenas fiquei meio atordoado por uma meia hora, pois este é o meu parente mais próximo que morre. Passado o susto. Resolvi homenageá-la fazendo germinar uma antiga idéia: um espaço onde pudesse dividir minhas experiências com as pessoas.
O que vai me deixar mais saudades dela é o respeito mútuo que mantínhamos nas longas conversas que tínhamos. Elas ocorreram com maior frequência no segundo semestre de 2004, quando assumi que era ateu. Nelas normalmente tratávamos desse assunto. O que me admirava mesmo era o fato de que mesmo não tendo escolaridade, aprendeu a ler e escrever com os tios, ter sido criada no meio do Sertão do Inhamuns, cresceu na localidade de Santa Maria, Serra de São Domingos, Município de Tauá; e, tendo sido criada na fé católica fundamentada em crenças populares, o que torna esses laços virtualmente inquebráveis. Ela respeitava a minha posição como ninguém. Ao contrário de outras pessoas do meu círculo de convivência bem mais “instruídas”. Além disso, conversávamos sobre a vida e sobre os meus planos para o futuro.
A última vez em que a vi foi no último dia 31 de Dezembro, numa manhã sábado ensolarada. Quando parti de volta para Fortaleza-CE depois de ter passado a semana de natal com minha família em Tauá-CE. Na noite antecedente a partida, falei-lhe sobre o desejo de seguir carreira acadêmica e de cursar a pós-graduação fora do estado do Ceará, se possível fora do país. Depois, lhe falei sobre física até cair no sono. Não sei se ela entendeu muita coisa.
Mas ela teve a imensa paciência de me ouvir. E olhe que sou chato quando estou falando de uma coisa que eu gosto.
São estas as saudosas lembranças que irão ficar. A de sua tolerância, respeito e paciência comigo. Qualidades as quais ainda preciso desenvolver para evoluir como pessoa.
Adeus Dona Luiza! Adeus!!!
